domingo, 29 de outubro de 2017

cara, hoje completam dez meses que você partiu e toda essa primeira comoção para rumar aos preparativos de mais um ano que chega ao fim me sufoca. Ontem colocaram as primeiras luzes natalinas na pracinha que passeamos pela primeira vez, cedo não é mesmo?  E vendo elas acenderem caiu a ficha.

logo eu que sempre fui apaixonada por recomeços estou presa em um fim incerto e rodeada de simbolismos sobre finais. Os dias até agora foram da minha velha companheira saudade. Como estão as coisas por aí? Me pergunto se ver um pisca pisca vai te recordar de mim.

me machuca pensar que dessa vez elas não iluminarão nossas mãos entrelaçadas e todas as confissões que fizemos sobre sua claridade. Os últimos minutos do ano me farão recordar de quem não consegui retirar apenas um único dia do meu pensamento.

falaram que com o tempo iria amenizar, só que ainda machuca e rever todos esses fatos  na verdade só intensificou a falta de alguém que está bem sem mim, sem um nós. É, somos eu e você agora, sem conjugação de plural.

passo por nossa história diariamente,caminho por estradas destinadas ao fim. Palavra dolorida essa. Respiro e pego um pouquinho de força para conseguir enfrentar os finais. Faço uma prece. Nos últimos segundos, aos apagar das luzes vou me lembrar uma última vez e seguir. Mas até lá fico aqui, olhando a montagem de todo enredo que irei finalizar.

Luiza Porfirio

Outubro de 2017 




quinta-feira, 12 de outubro de 2017

gosto de você.

soube que gostava quando você trouxe toda segurança e calmaria que sempre busquei. E também quando resolveu ficar mesmo depois de ter todos os motivos para ir embora.Talvez também porque seu nariz combinava com o meu e todas nossas estranhezas se completam.

gosto de você.

entendi que gostava quando não tínhamos um milhão de assuntos e ao mesmo tempo  conseguíamos terminar falando das histórias e sentimentos bons que carregamos no peito. Foi gostar quando a distância era detalhe e nossas horas de facetime eram a melhor parte do meu dia.

gosto de você.
porque ontem fiquei te procurando em todos os cantos e entre milhões de possibilidades  queria poder escolher aquela que te trouxesse para meu cotidiano novamente. E aí percebi que você foi o único a destravar todos meus bloqueios.

gosto de você
e do seu português improvisado, sua paixão por cachorros e seu cuidado comigo. Também dessa mania de conseguir me tirar um sorriso e me fazer entender que tudo tem um tempo certo. Por insistir em nós mesmo com nossas diferenças.

gosto de você.
porque na minha uma hora de terapia eu falei de você te incluindo como rotina. Por me conhecer e tirar algo de bom quando eu já não acreditava e quando percebi que escapava de todos os lugares para poder conversar mais uma hora contigo antes de cair no sono.

gosto de você.

porque nosso primeiro encontro foi a aventura mais linda que me aconteceu. No dia que a chuva nos pegou e nos protegemos abraçados dentro do seu carro disputando guerra de dedos e adiando a despedida, aquele mesma que aconteceu e depois fez você aparecer para ''um último abraço'' ao som do meu porteiro gritando para fecharmos o portão.

gosto de você
foi natural, não podia acontecer e aconteceu. Gosto por um milhão de motivos e também por não ter motivos. E aí eu vi que era amor e eu já amava. Aconteceu.Quem sabe foi amor no primeiro ''oi''. E hoje ainda é amor.Na verdade sempre vai ser amor.

gosto de você
na potência máxima de sentimento, da nossa intensidade. É amor e mais amontoados de sentimentos bons. E soube que era amor quando não te ter por perto era só detalhe. Descobri que era amor quando entendi que não posso explicar e somente sentir. E eu sinto. E cá entre nós: foi a melhor coisa que me aconteceu! 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Depois do fim

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Ontem  te vi beijando outra menina e fingi não me importar. Afinal realmente tivemos alguma conexão? Admito que não esperava te encontrar em uma cena assim.Em segundos meu estômago embrulhou e realmente achei que iria passar mal em perceber que fui usada.

Te ver ali aproveitando o carnal me fez sentir que talvez eu fosse só isso para você,um corpo. Que todas as conversas sobre sentimentos foram jogadas para baixo de alguma cama que agora você levaria ela.

As mãos, os toques e tantas outras tramas que antes eram nossas ficaram com ela naquela parede. E foi ali que caiu a ficha que o fim realmente havia chegado,alavancar sentimentos em redemoinhos é triste. O ''nós'' havia se perdido ali e também finalizado.E foi triste:
  1. É triste porque você não estava disposto a tentar  quando mostrei meu mundo de incertezas e intensidade.
  2. É triste porque nossa história foi só mais uma dessas que você esquece em uma semana.
  3. É triste porque ela também está sendo exatamente o que fui pra você mas a diferença é que ela talvez saiba.

Mas sabe, a cena me trouxe uma avalanche de lembranças como daquele dia que em uma madrugada qualquer nos perdemos em histórias e sorrisos, de quando você teve que fazer mil artimanhas ensaiadas para conseguir me tirar de casa depois de uma semana cansativa de trabalho e da sua expressão feliz ao descobrir meu gosto por GOT...E na real, ta tudo bem lembrar disso com carinho mas entender que passou.

Só que sabe, ta na hora de me priorizar e tenho certeza que  também vou encontrar outros lábios, mãos, toques e sentimentos mas ainda é muito cedo.Faz assim, enquanto você segue eu fico aqui um mais pouquinho pedindo outra breja e pensando que talvez amanhã eu encontre alguém disposto a viver tudo que pensei para nós. Só que dessa vez vai ser diferente, cansei de mergulhar em águas rasas demais. 
                                                                                                                                  Setembro de 2017
                                                                                                                                   Luiza Porfirio 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Era sábado

 Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos. Uma festa, música ruim, bebida razoavelmente aceitável. Um copo.Mais um para esse papo sociológico sem argumentação.Uma tequila para aguentar.

- Te conheço? - Disse uma barba se aproximando enquanto tentava me camuflar por entre os destroços emocionais que carregava

-Provavelmente não. Mas quem se conhece nos dias de hoje não é verdade? - Filosofia barata, talvez devesse chamar meu novo amigo dos papos sobre democracia e sociedade consumista para  acompanhar. Álcool  realmente traz efeitos estranhos.

-Não me venha com esse papo você também... Hoje eu só preciso de um porre.

-Eu também... 

-Então eu fico aqui- disse sentando no chão ao meu lado e levantando o copo para um brinde imaginário.

Prosseguindo a noite. Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos. Uma festa,música ruim, bebida razoavelmente aceitável e um companheiro para as doses.

-Como veio parar aqui?  - perguntou após um gole.

- Não sei. A semana foi puxada,só queria um lugar diferente para esparecer.

-Não seria a natureza um lugar melhor para isso? Festas são para esquecimento.

- Talvez sim. Mas foi onte encontrei tequila e pessoas. Não suportaria ficar sozinha comigo hoje.

- Entendo. Festas são para esquecimento e você quer esquecer algo. Boa escolha - piscou delicadamente enquanto me avaliava.

- Sabe... estou passando por dias difíceis. De céu cinza e essas bobeiras poética que guardo para meus escritos. Socializar parecia ser uma boa opção mas essa casa está repleta de almas vazias que só fazem companhia carnal,entende? - disse enquanto não raciocinava sobre a sinceridade e minha maneira particular de afastar as pessoas.

-É, eu também não estou tendo dias bons.Mas é assim com todo mundo. A gente podia se juntar na solidão hoje. Tornar plural nosso singular. - e com um sorriso se aproximou me abraçando,um beijo doce, tequila.

Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos. Uma festa, música ruim, bebida razoavelmente aceitável e um companheiro de solidão.

Acordei. Olhei para o lado. Turbilhão de pensamentos e ressaca. Nada mal para um começo de semana. Vagas memórias sobre a noite que se passara.Algo de abraços,promessas... Ah,aquela barba.

Um café para acalmar. Éramos agora plural no singular. 

Coisa bonita a vida. Traz sorrisos,histórias e sentimentos . E ela me trouxe ele que com simples palavras compreendeu e regou o jardim das minhas indecisões.Ele se foi.Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos.Uma festa,música ruim e uma bebida razoavelmente aceitável. E ele, ah ele...

Luiza Porfirio