segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Transcendendo-se

  Afogando-se em palavras de sentimentos baratos. Entre quedas e escaladas agora encontrava a beira de si, desmascarando puderes e antigas crenças que ali não mais habitavam. Completava o auge de algo que alguns anos havia iniciado e compreendeu que não existe completude quando se está em eterna evolução na busca constante de ser quem se é em frente a uma sociedade repleta de julgamentos e moral questionável.
 As horas passavam e o incessante tempo conciliava-se entre uma rotina robótica e pensamentos tumultuosos. No rosto sorriso, nos pensamentos caos. Remédios, pílulas de uma anestesia momentânea na tentativa de frear o que o coração pulsava. Palavras soltas e frases de repreensão. Pobres de espirito os que não entendem que no transcender da vida todos passam por lágrimas, já disse Rubem Alves que não haverão borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.
  Desfigurava-se agora, o que havia guardado, era este o momento tão esperado. Os dias de cinza apresentavam-se  com cor ou pelo menos pontos de luz em áreas antes escuras.  Voltava as partilhas, procurando refúgio em confidências de tamanha singularidade quanto a sua. Encontrou no plural de seres, singulares. Estamos todos perdidos na busca constante de respostas que não temos, se questionava.
 Transformar, verbo que deixava apenas no falar mas que agora aplicava em vivências. Passou as fases que a vida lhe impôs, sangrou feridas que o sentir aflorou , enfrentou leões e sobrepôs ao medo a coragem, rasgou folhas de um passado que não era mais presente. Ah, agora afogava-se na plenitude de ser quem se é, com as cicatrizes de guerras mas conquistas interiores que despertavam indagações. Viver nunca fez tanto sentido!
                                                                                             Luiza P.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Somos,éramos

Somos desencontros perdidos nas poesias de Vinicius,Drummond
Regados por uma canção velha,
e chegadas,
partidas,
abraços,
sorrisos,
e saudade.
Ah,sempre saudade.
Somos encontros que a vida presenteia,
com bagagens diferentes,
e sonhos,
vidas,
sentimentos,
e saudade
Ah,sempre saudade.
Somos a pureza de palavras plantadas em crônicas
que possuem destinatário
eu,
você,
e saudade.
Ah,sempre saudade.
Somos o ontem que não concretizou,
já não somos nós,somos eu
e você
separados
em sujeito
e saudade,
Ah,sempre só minha.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Não apenas mais um

  Sentou naquela calçada com o frio raspando  pedaços de pano que ausentavam naquele vestido.O copo meio vazio ou meio cheio. Crise filosófica, ótima hora para teorias. No primeiro minuto apenas observou a multidão que ao longe transbordava sorrisos,segurou o ar  profundamente. No segundo decidiu transparecer, não valeria a pena ser forte, a visão ficou turva enquanto abraçava a si própria em busca de alguma proteção, foi quando desabou. Desmontou-se em lágrimas naquela calçada com o frio raspando  pedaços de pano que ausentavam naquele vestido.
  Alguns amontoados horas passaram por ali. Ele dentro da casa em meio a multidão que transbordava sorrisos enquanto ela se debruçava em sentimentalismo de um coração partido. A solidão fez companhia. Esvaziou o copo finalizando a crise filosófica e decidiu que era hora de ir. Hora de seguir. E ela seguiu. Foi em frente costurando retalhos por cima de rasgados em seu coração. E ela seguiu. Descobriu novos livros, sorriu com novas histórias, dançou até amanhecer ,encontrou novos olhares. Ela seguiu para se tornar mulher....
  Enquanto vislumbrava ao longe aquela calçada recordava-se da escuridão de pensamentos que um dia atormentaram, lembrou-se dele. O olhar da multidão. Flashs de luz buscaram memórias que haviam sido descartadas. Ele que em meio histórias,abraços,proteção e beijos havia tornado mulher a menina que até minutos o havia encontrado.Tão mais homem por suas vivências. Aos poucos a cena retornou, ele e outras histórias,abraços,proteção e beijos. Enquanto assistia a cena a mulher e menina se misturaram. Não foi ele o primeiro a desmontar aquele coração mas foi o último a partir a encontrar com a menina que agora era mulher,
  Ela nunca mais o havia encontrado porém ele vez ou outra a descobria de novo,mesmo que distante em outro canto do bar. Doía saber que nunca mais seriam par. Sentimentos superficiais não mais a preenchiam. Copo cheio ou copo vazio,não existiam meio termo em entregas para ela. Ele seguiu. Talvez sem saber sobre aquela calçada,o frio,lágrimas e decisões que aquela menina deixou ali.Ele seguiu sentindo falta daquele olhar que nunca mais seria dedicado a ele. Ela agora não era mais menina que um dia ele abandonou na multidão, era a mulher que ele enxergou em meio a tantas histórias. Muito mais mulher do que um dia ele mereceria, reconhecera.  Agora ao longe ressaía a vontade de procura-la mas esse era seu papel,a fazer despertar. Ela agora era mais mulher do que um dia ele poderia ser homem.
  Como são controversas missões, ele balbuciava enquanto se lembrava da menina de vestido preto com frio em uma calçada.Ela seguiu e ele ficou,não se sabe ao certo se despertando novos sentidos, metamorfoses ou apenas ficou ali perdido em copos incompletos. Ela, já não sabia ser metade, abandonou junto com o copo e agora transbordava.

sábado, 26 de setembro de 2015

Ser rei

Ser rei do caos que instala
Sorri dos males de outrora
Bailar com os esconderijos da mente
Pintar cores nas entrelinhas escuras

Ser rei do caos que instala
Vibrar com o sentir
Buscar direção em mares novos
Entregar-se nos braços do caminhar

Ser rei do caos que instala
Deixar chorosas lembranças
Adentrar na psique
Jogar-se no novo sol

Ser rei do caos que instala
Sorri
Bailar
Pintar
Vibrar
Buscar
Entregar
Deixar
Adentrar
Jogar

Ser rei do caos que instala
Ah,ser rei de si
                                                                                                                           Luiza P.