segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ababelar

- A senhorita deseja mais alguma coisa?
-Um grande copo de felicidade,por favor. Desabafei ironicamente. Consegui observar um sorriso no semblante do garçom que se retirou rapidamente.
Andava em passos curtos que automaticamente eram rápidos,sem direção certa,quando aquele lugar me chamou atenção. Os últimos dias não haviam sido fáceis, paz era o pedido que havia feito a alguma estrela na última noite.Aquela lanchonete transmitia conforto e segurança,para mim estava perfeito. Comecei silenciosamente a relembrar a guerra de meu coração com um outro.
- Não me deixaras entrar?
- Já não te pertencem mais as chaves,o aconchego e qualquer parte de um todo que me pertença....
Eficiente discussão,acrescentei uma nota mental que em uma próxima vez seria mais persistente e descobriria os motivos da ''expulsão'', óbvio se existisse uma segunda,terceira,quarta...Meu coração também teria retirado da propriedade de algumas pessoas a chave que o abre?Não tenho coragem de pergunta-lo. A resposta obviamente seria sim e logo descobriria que deixei passar pessoas que não deveriam. Tenho essa mania irritante de esconder de mim mesma segredos. Uma grande tola,sei que sou. Deixei meu café sem ao menos toca-lo e me despedi daquele lugar.
Comecei uma longa conversa com meu interior,seria doloroso escutar o que escondo de mim mesma, coragem uma vez na vida não seria desprezável!
- Por que me apegar a fatos do passado agora se sempre fui ''esquecida''?
-Não me venha com a desculpa que se esquecia facilmente e de repente,do dia para noite,começou a re-lembrar e re-viver cada um destes.Sabemos que sua distração tem nome,endereço e está se apossando cada vez mais de seus pensamentos. Está história toda parece um grande teatro de  romance trágico ou um filme ''melo-dramático'' destinado a adolescentes. Sim,ele possui um sorriso encantador e é o causador de grande parte do seus. Encontrei a palavra que o definiria'' causador'' ou ''causa-dor'',a dor indescritível de uma primeira paixão.
 Balbuciei algumas palavras que não expressaram som. Estou acostumada a ter demoradas conversas comigo mesma,o começo se intercala com o fim e só então percebo a última aventura em que me encontrei. Entrei em casa,liguei a tv,uma coca gelada e pipoca me acompanharam em um filme. Sorri e me perguntei qual era o motivo de minha tristeza. Adolescentes são sempre assim intensos ou está é apenas minha maneira de demonstrar sentimentos? Uma noite de sono talvez me fizesse esquecer este complicado e inesperado dia,ou não.

Luíza P.

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