sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Florescer

  Nas últimas semanas não privei palavras que em longas datas foram minhas fieis companheiras,escutei cantigas de roda,dancei,liguei para velhos amigos,joguei cartas,escutei piadas,andei de meia pela casa,demonstrei um sorriso que a muito tempo não era visto, gritei,me senti feliz,me senti feliz... Quando minhas forças se esvaíram resolvi praticar atitudes contrárias. Fiquei em casa observando o fim da tarde,não liguei o som,peguei alguns livros que estavam guardados e em um dia em especial andei calmamente no caminho que faço todos os dias,mesmo sabendo que a hora me apressava,não me importei em parar em alguns momentos e somente observar. Reparei nos barulhos,comércios e casas e uma em especial me fixou naquele passeio,uma casa não muito grande,de apenas um andar,com um jardim de dar inveja a qualquer vizinho,com uma rede e ao contrario das casas daquela rua aquela não possuía um grande portão e sim um pequeno e que deixava a vista toda aquela paisagem.A vontade de sentar ali mesmo na calçada e reparar as flores,borboletas e tudo mais que implementava aquele jardim não foi maior que todos os compromissos que haviam na minha agenda para aquele dia,me levantei e segui caminho.
  Em todo o trajeto comecei a me perguntar se seria realmente necessário tantos pontos de interrogação em um livro que chamo de vida. Quantas perguntas deixei de fazer por medo de uma resposta,alguém percebera a primeira de muitas vezes que eu caíra em meus erros e me levantará,em algum momento seria necessário realmente dizer adeus as pessoas...? Continuei a me questionar. Como o grande portão da casa ao lado a pequena e humilde casa eu estava trancada em o meu interior e presenteando com a chave que o abre apenas  pessoas que nunca tiveram o interesse de o conhece-lo. Doloroso foi pensar em quantos projetos,palavras e recordações que foram observadas ao longe guardei comigo juntamente com um bobo medo de compartilhar e não conseguir sem compreendida e talvez taxada de tantas outras amargas palavras.        Se naquele momento em que parei e apreciei a simplicidade e a beleza da natureza eu tivesse direito de fazer um pedido desejaria ser igual aquelas roseiras,colorida interiormente com a leveza das pétalas de rosas que ali estavam,forte mesmo com os ventos que tentavam me derrubar e com raízes profundas em certezas contraditórias que guardo comigo.
  Mesmo com os poucos anos de idade que trago na minha bagagem,muito já aprendi e sei que ainda existe muito mais a se aprender mas nunca pensei que uma casa simples e rustica,pela qual passei milhares de vezes,fosse me ensinar tanto. Em alguns momentos palavras não conseguem explicar o que se deve entender e são nesses pequenos minutos,em que a vida se acalma,que o silêncio e o olhar dizem muito mais que as palavras que passeiam por entre meu cotidiano. As últimas semanas haviam sido de aprendizado,não me recordo de um ano em que um turbilhão de sentimentos,fatos e falta me atingiu tanto. Pessoas haviam me deixado,conheci também pessoas maravilhosas,senti saudades de um certo alguém e este estava bem longe de mim,vivi momentos em que a emoção não escutou a razão e em outros a razão não a escutou. A paz pairava sobre minha história naquele momento e consegui finalmente sentir o seu sabor.
   Quando li que a vida era uma peça de teatro não compreendi,hoje consigo enxergar que ela é sim uma peça,não ensaiada e sim improvisada com a carga de aprendizagem que carrego. Não existem palavras ensaiadas,situações pensadas e re-pensadas para serem melhores apresentadas elas simplesmente acontecem. A mocinha algumas vezes se torna a vila e o vilão um príncipe da atualidade. Em certos momentos o amor bate na porta apenas uma vez e em outras insiste,não passando de duas verdadeiras chamadas.As lágrimas não cessarão quando a alegria for grade ou a triste muita,mas em como qualquer história os momentos de tensão acontecerão assim como os felizes. No fim,a calmaria de um jardim será tão mais apreciada do que uma música,o sentimento de nostalgia reinará e as histórias que colecionou durante a vida serão abertas. 
  Continuei a caminhar,as lições que um portão pequeno me ensinou foram valiosas assim como um texto metafórico da vida. Humildade,que está ligada a paz e silêncio,talvez está seja a palavra de todo esse ensinamento mas só talvez,porque muitas vezes se sai do teatro e somente depois que as cortinas se fecham que a história é compreendida. 

Luíza P.

2 comentários:

  1. Adorei esse texto! É muito boa a sensação ao lê-lo e adoro textos assim. Parabéns, você parece ter um futuro escrevendo.

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  2. Obrigada Alice,eu ainda não fiz as correções necessárias neste texto.Tenho uma incontrolável mania de escrever e postar sem me importar com coerência,pontos,virgulas e afins. Seja mt bem vinda ao meu blog.

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