quinta-feira, 24 de março de 2016

Não apenas mais um

  Sentou naquela calçada com o frio raspando  pedaços de pano que ausentavam naquele vestido.O copo meio vazio ou meio cheio. Crise filosófica, ótima hora para teorias. No primeiro minuto apenas observou a multidão que ao longe transbordava sorrisos,segurou o ar  profundamente. No segundo decidiu transparecer, não valeria a pena ser forte, a visão ficou turva enquanto abraçava a si própria em busca de alguma proteção, foi quando desabou. Desmontou-se em lágrimas naquela calçada com o frio raspando  pedaços de pano que ausentavam naquele vestido.
  Alguns amontoados horas passaram por ali. Ele dentro da casa em meio a multidão que transbordava sorrisos enquanto ela se debruçava em sentimentalismo de um coração partido. A solidão fez companhia. Esvaziou o copo finalizando a crise filosófica e decidiu que era hora de ir. Hora de seguir. E ela seguiu. Foi em frente costurando retalhos por cima de rasgados em seu coração. E ela seguiu. Descobriu novos livros, sorriu com novas histórias, dançou até amanhecer ,encontrou novos olhares. Ela seguiu para se tornar mulher....
  Enquanto vislumbrava ao longe aquela calçada recordava-se da escuridão de pensamentos que um dia atormentaram, lembrou-se dele. O olhar da multidão. Flashs de luz buscaram memórias que haviam sido descartadas. Ele que em meio histórias,abraços,proteção e beijos havia tornado mulher a menina que até minutos o havia encontrado.Tão mais homem por suas vivências. Aos poucos a cena retornou, ele e outras histórias,abraços,proteção e beijos. Enquanto assistia a cena a mulher e menina se misturaram. Não foi ele o primeiro a desmontar aquele coração mas foi o último a partir a encontrar com a menina que agora era mulher,
  Ela nunca mais o havia encontrado porém ele vez ou outra a descobria de novo,mesmo que distante em outro canto do bar. Doía saber que nunca mais seriam par. Sentimentos superficiais não mais a preenchiam. Copo cheio ou copo vazio,não existiam meio termo em entregas para ela. Ele seguiu. Talvez sem saber sobre aquela calçada,o frio,lágrimas e decisões que aquela menina deixou ali.Ele seguiu sentindo falta daquele olhar que nunca mais seria dedicado a ele. Ela agora não era mais menina que um dia ele abandonou na multidão, era a mulher que ele enxergou em meio a tantas histórias. Muito mais mulher do que um dia ele mereceria, reconhecera.  Agora ao longe ressaía a vontade de procura-la mas esse era seu papel,a fazer despertar. Ela agora era mais mulher do que um dia ele poderia ser homem.
  Como são controversas missões, ele balbuciava enquanto se lembrava da menina de vestido preto com frio em uma calçada.Ela seguiu e ele ficou,não se sabe ao certo se despertando novos sentidos, metamorfoses ou apenas ficou ali perdido em copos incompletos. Ela, já não sabia ser metade, abandonou junto com o copo e agora transbordava.

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