segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Transcendendo-se

  Afogando-se em palavras de sentimentos baratos. Entre quedas e escaladas agora encontrava a beira de si, desmascarando puderes e antigas crenças que ali não mais habitavam. Completava o auge de algo que alguns anos havia iniciado e compreendeu que não existe completude quando se está em eterna evolução na busca constante de ser quem se é em frente a uma sociedade repleta de julgamentos e moral questionável.
 As horas passavam e o incessante tempo conciliava-se entre uma rotina robótica e pensamentos tumultuosos. No rosto sorriso, nos pensamentos caos. Remédios, pílulas de uma anestesia momentânea na tentativa de frear o que o coração pulsava. Palavras soltas e frases de repreensão. Pobres de espirito os que não entendem que no transcender da vida todos passam por lágrimas, já disse Rubem Alves que não haverão borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.
  Desfigurava-se agora, o que havia guardado, era este o momento tão esperado. Os dias de cinza apresentavam-se  com cor ou pelo menos pontos de luz em áreas antes escuras.  Voltava as partilhas, procurando refúgio em confidências de tamanha singularidade quanto a sua. Encontrou no plural de seres, singulares. Estamos todos perdidos na busca constante de respostas que não temos, se questionava.
 Transformar, verbo que deixava apenas no falar mas que agora aplicava em vivências. Passou as fases que a vida lhe impôs, sangrou feridas que o sentir aflorou , enfrentou leões e sobrepôs ao medo a coragem, rasgou folhas de um passado que não era mais presente. Ah, agora afogava-se na plenitude de ser quem se é, com as cicatrizes de guerras mas conquistas interiores que despertavam indagações. Viver nunca fez tanto sentido!
                                                                                             Luiza P.

2 comentários:

  1. Belas palavras, retratou o que realmente estamos vivendo hoje. Um mundo repleto de pessoas robóticas que mascaram seus sentimentos à base de medicamentos,não encaram a realidade de peito aberto,como deveriam. Parabéns pelas palavras.

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  2. Viver geralmente não faz muito sentido, e em outras horas faz todo o sentido do mundo. Somos uma constante antítese neste mundo.
    Adorei seu texto, muito bom!

    Abraço e bom final de semana
    http://mylife-rapha.blogspot.com

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