segunda-feira, 24 de julho de 2017

Era sábado

 Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos. Uma festa, música ruim, bebida razoavelmente aceitável. Um copo.Mais um para esse papo sociológico sem argumentação.Uma tequila para aguentar.

- Te conheço? - Disse uma barba se aproximando enquanto tentava me camuflar por entre os destroços emocionais que carregava

-Provavelmente não. Mas quem se conhece nos dias de hoje não é verdade? - Filosofia barata, talvez devesse chamar meu novo amigo dos papos sobre democracia e sociedade consumista para  acompanhar. Álcool  realmente traz efeitos estranhos.

-Não me venha com esse papo você também... Hoje eu só preciso de um porre.

-Eu também... 

-Então eu fico aqui- disse sentando no chão ao meu lado e levantando o copo para um brinde imaginário.

Prosseguindo a noite. Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos. Uma festa,música ruim, bebida razoavelmente aceitável e um companheiro para as doses.

-Como veio parar aqui?  - perguntou após um gole.

- Não sei. A semana foi puxada,só queria um lugar diferente para esparecer.

-Não seria a natureza um lugar melhor para isso? Festas são para esquecimento.

- Talvez sim. Mas foi onte encontrei tequila e pessoas. Não suportaria ficar sozinha comigo hoje.

- Entendo. Festas são para esquecimento e você quer esquecer algo. Boa escolha - piscou delicadamente enquanto me avaliava.

- Sabe... estou passando por dias difíceis. De céu cinza e essas bobeiras poética que guardo para meus escritos. Socializar parecia ser uma boa opção mas essa casa está repleta de almas vazias que só fazem companhia carnal,entende? - disse enquanto não raciocinava sobre a sinceridade e minha maneira particular de afastar as pessoas.

-É, eu também não estou tendo dias bons.Mas é assim com todo mundo. A gente podia se juntar na solidão hoje. Tornar plural nosso singular. - e com um sorriso se aproximou me abraçando,um beijo doce, tequila.

Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos. Uma festa, música ruim, bebida razoavelmente aceitável e um companheiro de solidão.

Acordei. Olhei para o lado. Turbilhão de pensamentos e ressaca. Nada mal para um começo de semana. Vagas memórias sobre a noite que se passara.Algo de abraços,promessas... Ah,aquela barba.

Um café para acalmar. Éramos agora plural no singular. 

Coisa bonita a vida. Traz sorrisos,histórias e sentimentos . E ela me trouxe ele que com simples palavras compreendeu e regou o jardim das minhas indecisões.Ele se foi.Era sábado e sábados a noite costumavam ser tediosos.Uma festa,música ruim e uma bebida razoavelmente aceitável. E ele, ah ele...

Luiza Porfirio 

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